Tradicionalismo Gaúcho: Da Tropa à Chama Crioula:
A História das Cavalgadas Gaúchas
As cavalgadas fazem parte da alma do Rio Grande. Muito antes de serem eventos culturais, elas foram caminhos de trabalho, fé, sobrevivência e integração entre os povos que ajudaram a construir nossa história.
Mas você sabe como surgiram as cavalgadas? Como elas passaram do tropeirismo às grandes mobilizações tradicionalistas dos dias atuais? Qual a relação entre os antigos tropeiros, o cavalo, a Chama Crioula e as cavalgadas que percorrem centenas de quilômetros todos os anos?
Vamos falar sobre isso.
Compreender as cavalgadas é compreender uma parte importante da própria formação do Rio Grande do Sul.
I – O Cavalo na Formação do Rio Grande
No Rio Grande do Sul, uma cavalgada nunca foi apenas um deslocamento a cavalo. Ela representa a continuidade de uma história construída sobre o lombo dos animais que ajudaram a formar o território, sustentar a economia e moldar o caráter do povo gaúcho.
Muito antes da existência de estradas, automóveis ou caminhões, eram os cavalos que ligavam estâncias, povoados e cidades. Foi montado em seu cavalo que o gaúcho conduziu tropas, transportou mercadorias, levou notícias, defendeu fronteiras e participou dos grandes acontecimentos que marcaram a história do sul do Brasil.
II – As Raízes Tropeiras das Cavalgadas
As origens das cavalgadas remontam ao período do tropeirismo, entre os séculos XVII e XVIII, quando tropeiros percorriam longas distâncias conduzindo gado e mercadorias pelos campos do continente. Em suas jornadas, além do trabalho árduo, cultivavam a fé, a amizade e o companheirismo, valores que permanecem presentes nas cavalgadas até os dias atuais.
Os pousos ao final das jornadas transformavam-se em momentos de convivência, oração, troca de experiências e fortalecimento dos laços entre os viajantes. Dessa forma, surgiam as bases culturais daquilo que mais tarde se consolidaria como uma das mais importantes manifestações do meio rural brasileiro. Continua …..
“Na próxima semana, vamos ver que da necessidade se transforma a tradição e o papel das cavalgadas na preservação cultural. Até lá!”
Airto Timm
Presidente da ORCAV e
Conselheiro Benemérito
