Sessão solene, realizada na tarde desta quarta-feira (17), marcou na Assembleia Legislativa as comemorações da Semana Farroupilha, evento cívico que celebra o movimento revolucionário ocorrido no Rio Grande do Sul de 1835 a 1845. Após a execução do Hino Nacional, parlamentares de diferentes bancadas se revezaram na tribuna para ressaltar a importância da luta dos farrapos na constituição da identidade e da cultura gaúchas e atualizar o significado histórico da revolta mais longa contra o poder imperial no Brasil. 

“Foi uma grande honra participar deste momento, representando os quase 60 anos do MTG”, destacou o Vice Presidente da Fundação Cultural Gaúcha, Paulo Matukait. 

Primeiro a se manifestar, Jeferson Fernandes (PT) fez menção aos homens e mulheres que na atualidade, por meio de trabalho voluntário, mantêm em funcionamento CTGs no Rio Grande do Sul, Brasil e exterior, propagando a cultura gaúcha. Em nome da Federação PT/PcdoB, o parlamentar ressaltou a importância social e política do movimento farroupilha e citou a contribuição dos povos originários do Rio Grande do Sul ao processo revolucionário. “No momento em que celebramos os 400 anos das missões jesuítas-guaranis, é importante lembrar que foram os jesuítas que introduziram o gado em nosso estado, a partir das reduções. e que os indígenas lutaram contra bandeirantes que pretendiam escravizá-los. Portanto, ao atualizar a história, não podemos esquecer a contribuição e o compromisso que devemos ter com os povos originários”, apontou.

Marcus Vinícius (PP) disse que muitas vezes os gaúchos são questionados sobre o motivo da comemoração do 20 Setembro. “Alguns perguntam se comemoramos uma derrota. Outros pensam que fazemos de conta que vencemos. Mas sou daqueles que celebram um acordo de paz, pois ganhamos mais do que batalhas, A Revolução Farroupilha nos deu identidade. Não somos melhores que nossos irmãos de outros estados. Somos diferentes. Sabemos de onde viemos e quem somos. Portanto, para nós, celebrar esta data é celebrar a identidade de um povo livre e corajoso”, declarou.

Delegada Nadine (PSDB) afirmou que a Revolução Farroupilha é a “expressão mais pura da força coletiva, da resiliência e da capacidade dos gaúchos de se reinventar”. Para ela, a coragem e o espírito de luta dos farrapos está sempre presente nos momentos cruciais do povo do Rio Grande do Sul, como na enchente de maio de 2024, que exigiu esperança e trabalho da população para reerguer o estado. “As grandes batalhas nem sempre são físicas. Muitas delas são morais e legais. Hoje, temos um grande desafio a vencer com a União, que é a dívida do estado, já paga muitas vezes. A suspensão, assegurada pelo governo federal, foi importante, mas resolve, A extinção da dívida é a grande bandeira gaúcha do nosso tempo”, defendeu.

Airton Lima (Podemos) manifestou que, embora nascido em outro estado, há 25 anos adotou o solo gaúcho, onde passou a residir com a família e onde passou a exercer o ministério pastoral, aprendeu costumes e tradições e abraçou esta terra “de todo coração”. Disse que se sente verdadeiramente gaúcho, partilhando seus valores, coragem e identidade. Ponderou que a Revolução Farroupilha lembra da luta por liberdade, justiça e dignidade, sendo que seus ideais ecoam até hoje e devem inspirar a todos que ocupam cargos públicos. “O povo gaúcho nos ensina que não se curva diante da injustiça e que mantém viva a esperança, mesmo em tempos difíceis”, afirmou. “Que o diga a resiliência e a força do povo gaúcho há mais de um ano, em que passamos por uma grande enchente e demos a volta por cima”. E prosseguiu, manifestando que, assim como os farrapos clamavam por liberdade, “sabemos que a verdadeira liberdade está em Cristo”. Celebrar a Revolução Farroupilha é mais que olhar para o passado, é assumir no presente a responsabilidade, honrar esse legado com uma política mais justa, ética e comprometida com o bem comum, e transformar a chama crioula em um símbolo de fé, esperança e união entre todos os povos que escolheram viver no Rio Grande do Sul.  

O presidente da Assembleia Legislativa, Pepe Vargas (PT), rememorou fatos históricos que marcaram a Revolução Farroupilha. Sobre as motivações para a revolta, mencionou que os historiadores concordam com dois aspectos de forma especial. Um deles, a ânsia pela descentralização do Império Brasileiro, observando que houve um decreto, em 1834, que conferiu um pouco de autonomia para as Províncias, permitindo a eleição das assembleias provinciais. Permanecia o poder moderador do imperador e o voto censitário. Recordou que aqui na província, assim como em outras, o representante do governo não se coadunava muito com a maioria da assembleia. Além disso, mencionou a tributação sobre o charque, que levou ao movimento da revolução. Ainda fez menção ao livro lançado neste ano, O alvorecer da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e a Revolução Farroupilha, do escritor Alcy Cheuiche, que colocou luz sobre um fato fundamental. Disse que foi preciso haver uma República, a primeira no território brasileiro, para que tivéssemos a primeira escola pública no estado. Também, com ela, a religião Católica passou a deixar de ser a religião oficial do estado, ressaltando a importância da liberdade religiosa. Por fim, lembrou que o processo de construção de direitos é contínuo na sociedade e as pessoas que conduzem a vida pública devem ter a responsabilidade de observar e estar atentas para que os direitos possam ser atingidos. “Sempre é importante revisitar os acontecimentos passados com essa visão, aprender com o passado para projetar um futuro melhor para todos e todas”. 
 
Texto: Agência de Notícias/ Assembleia Legislativa
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