​Elma Sant´Ana é Patrona dos Festejos Farroupilhas - 13 de Julho de 2017
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A escritora Elma Sant´Ana foi escolhida, nesta semana, Patrona dos Festejos Farroupilhas de 2017. A informação é do presidente do Movimento Tradicionalista Gaúcho, Nairo Callegaro, que também presidente a Comissão Estadual dos Festejos. 
Elma Nunes Sant’Ana nasceu em Triunfo/RS, uma mulher, uma índia, que trouxe na alma a inquietude do rio, a leveza das lagoas e a vigilância dos quero-queros.    
Há um texto da grande autora Elvira Nascimento, quando escreve sobre a Elma, que diz: 
“Todos os povos se deram conta que tinham que haver seres  para se devotarem ao ato de memorizar. Alguns, dizem, contratavam poetas ou homens iluminados para recolherem a memória do lugar. Os Amaltas na cultura Inca eram homens devotados a olhar o mundo.  A pesquisadora e consagrada escritora Elma Sant’Ana , intuiu essa necessidade e decidiu, com empenho amoroso, a passar a recolher pelo Rio Grande, muitas histórias.  Elma pode lembrar a deusa do Panteão grego, Mnemósinis,  irmã de Cronos , o Tempo, que personifica a própria memória humana repartida por uma mulher”.
Ao ler essa reflexão de Elvira, comprovamos que, já tendo escrito 30 livros, a obra e a vida de Elma nos revelam um trânsito universal que ultrapassa o tempo e a geografia. 
Os relevantes registros, eternizados em sua obra, mereceram estudos muito além das fronteiras; por exemplo, na Universidade de Princeton, USA.  
Na apresentação da obra O Folclore da Mulher Gaúcha, em sua 3ª edição, o presidente do Movimento Tradicionalista Gaúcho afirmou que “a obra colocada à disposição da sociedade e, especialmente dos tradicionalistas, certamente contribuirá para a ampliação do conhecimento que desejamos e precisamos ter das nossas coisas”.
O seu chão está encravado nos apelos afetivos do Rio Grande, e utilizando de sua constante vigília e defesa do universo feminino, é que foi em busca da repatriação civil do filho de Anita – Menotti Garibaldi.  
Elma foi  costurar os panos do folclore de mulheres gaúchas e latinas simples, como as parteiras, benzedeiras, e seus míticos e indecifráveis mistérios; as índias e seus milenares rituais, tão sagrados e tão silenciosos em tempos de guerra – Elma é a própria guerreira, que bate seus tambores e cuida da memória da forma mais afetiva e despretensiosa. E continua, de forma constante, produzindo e reparando memórias de cidades e pessoas do cenário Gaúcho. E com olhar histórico e poético de coisas que não se explicam, foi na cidade de Mostardas que Anita heroína partiu com sua família deixando uma herança ao Rio Grande e ao Brasil. 
Foi exatamente  lá que Elma construiu seu forte,  afundou seu chão, ficou com olhar permanente e atento ao oceano, sem deixar se apagar nas brumas a memória de Anita; sem deixar,  jamais,  macular a história. E é lá, que nesse ano, será acessa a Chama Crioula, a mais representativa da Revolução Farroupilha.
A obra de Elma Sant’Ana está umbilicalmente ligada à cultura genuinamente gaúcha, transitando desde os pagos mais áridos, inspirando anitas cavaleiras, até os meios mais urbanos, sendo ouvida por milhares de pessoais em fóruns, seminários e programas de rádio e TV. Sua vocação também restou marcada na gestão pública da cultura. Em tudo, e sempre, Elma revela, reafirma, promove e fomenta o ser e viver sul-rio-grandense, com a sensível e minuciosa lente feminina.
Portanto, a indicação de Elma Sant’Ana para a distinção de Patrona dos Festejos Farroupilhas do Rio Grande do Sul no ano de 2017 é o reconhecimento pela sua imprescindível contribuição à cultura gaúcha. 

(Texto de autoria dos Conselheiros de Estado da Cultura do RS Ruben Francisco de Oliveira e Alessandra Carvalho da Motta)