Homenagem ao pai rende 1º lugar em Contos no Enart - 03 de Março de 2017
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REVISTA DO ENART
 
  Participar do Enart 2016, para Juarez Nunes da Silva, do CTG Imigrantes e Tradição, de Caxias do Sul, teve um desafio e um sabor especiais. Concorrendo no evento desde 2002 e em quase todas as edições premiado como segundo ou terceiro colocados (primeira colocação em 2011), na edição de 2016 Nunes mirava o título máximo. Para tanto, escolheu com esmero o trabalho: preparou uma homenagem a seu pai, que completara 80 anos. O conto tratou de um dia na sua lida de tropeiro de gado. “Acreditei que seria vencedor, pois o trabalho apresentava nossos usos e costumes de um tempo que não vai mais voltar e o sentimento de um gaúcho que conduzia tropas de gado de cima da serra para o litoral, sofrendo com os rigores do clima e terrenos acidentados”, afirma.

   O conto foi escrito em três semanas, com o desafio de manter a narrativa mais próxima da realidade dos fatos ocorridos com o pai nos tempos em que era tropeiro, cujas histórias Nunes ouviu muito ao longo de muitos anos. A rotina de preparação para o Enart não foi espinhosa, antes pelo contrário. “Tenho experiência nesta modalidade, pois participo de outros concursos literários, já sido premiado em Caxias do Sul e Farroupilha”, afirma.

   Nunes sabia que na modalidade de contos, o segredo é explorar a temática gauchesca, buscando o linguajar do homem campesino, as expressões e ditados gauchescos, a descrição elaborada dos ambientes, a conexão do homem com a natureza, que sabe ler e decifrá-la nas suas manifestações. Outro saber que também contribuiu para a vitória foi a importância de  preservar os tipos humanos, evitando descaracterizá-los com linguajares chulos ou malcriados ou então, com comportamentos inadequados.

   Quanto ao momento do anúncio do vencedor, Nunes descreve como único. “Principalmente quando se ouve mencionar o nome da nossa região tradicionalista e a entidade (CTG) ao qual pertencemos. E, naturalmente, o nosso nome sendo divulgado para o público”.

   Como escritor, suas influências são o estilo de Aparício Silva Rillo e Simões Lopes Neto e seu objetivo é continuar a escrever contos gauchescos e influenciar novos talentos para que esta modalidade não seja esquecida. Se pretende voltar a participar do Enart? “Em todas as edições”. Seu conselho para quem pretende participar do evento é que participe na modalidade que esteja capacitado e se prepare para estar entre os finalistas. “O resultado não é importante, mas o momento é indescritível”. A participação no Enart, na sua opinião, é uma oportunidade do tradicionalista fazer a sua parte na divulgação e preservação das manifestações artísticas do nosso gaúcho.

   Nunes é contador e administrador e exerce a atividade de consultoria empresarial. Reside em Caxias do Sul, mas é nativo de São Francisco de Paula, oriundo de uma família que se criou no campo. “Por isso, não tenho dificuldades em escrever sobre temas gauchescos, em razão da minha vivência no campo quando pequeno e de ouvir as histórias de meus pais, tios e avós, contadas ao redor de um fogão a lenha ou sentado num galpão.” No movimento tradicionalista organizado está há mais de 27 anos, quando ingressou com o objetivo de proporcionar aos filhos uma ocupação saudável. Eles participaram das atividades nas categorias mirim, juvenil e adulta e depois seguiram suas atividades profissionais. “Eu permaneci no CTG, onde fui coordenador de invernadas, diretor cultural e até patrão, no CTG Imigrantes e Tradição, de 1997 a 1999. Nunes também participou do Departamento Cultural da 25ª RT e foi avaliador de concursos de prendas e peões do MTG, conselheiro da 25ª RT e do MTG por mais de 10 anos. “Hoje integro a invernada veterana do meu CTG, da qual sou o seu fundador, há 16 anos, e sou instrutor de danças gaúchas de salão, além de compor a equipe técnica do MTG, avaliando danças gaúchas de salão, já há seis anos avaliando o Enart”. Nunes também foi presidente do Fegadan nas duas primeiras edições. Obras publicadas são duas:  o livro de contos gauchescos "No campo dos contos... contos de campo" e a obra de temática gauchesca "A Terra dos Quatro Ventos". Nunes também é historiador e presidente do Instituto de História e Tradições do RGS  e Delegado Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil.
 
Sandra Veroneze